A caminhada foi realizada ontem, exatamente às 12:02. Dia quente, sol próximo ao zênite e apenas um litro d'água. É, 1° de abril tem disso... O início é fácil. A trilha é larga e relativamente plana. Aos poucos, no entanto o mato vai fechando.
Após uns quinze ou vinte minutos de caminhada, surge a primeira encruzilhada. Sinceramente não lembrava dela.
Decidi tomar o caminho da esquerda. Quando percorri o Morro da última vez (há uns quatro ou cinco anos) a trilha não era tão fechada. Era comum naquela época a prática de motocross, o que era facilmente perceptível por pedaços de carenagens, óculos de proteção, entre outros. Lembro de não ter sido perturbado por insetos. Achei estranho na época, devido ao grande volume de árvores e arbustos. A trilha tinha sido percorrida em um período de poucas chuvas (dezembro, se não me engano). Situação diferente da encontrada agora. A trilha ainda estava úmida em muitos pontos da mata, além de várias poças d'água. No morro, a copa das árvores é alta, chegando muitas vezes a impedir a orientação pelo sol. Nesses momentos é melhor confiar na trilha. Quanto aos insetos... bom, onde há água, há insetos. Onde há insetos, há predadores: aranhas e pássaros.
A trilha (já não mais uma trilha, mas na verdade uma linha de talvegue) torna-se cada vez mais traiçoeira. Os sulcos que moldam a trilha são um convite a uma lesão no tornozelo. Eles são formados pela água da chuva (descendo o morro violentamente).
Mais dez ou quinze minutos e encontro nova bifurcação (imagem acima). Tinha tomado a decisão certa anteriormente. Estava na rota correta. Escuto passos vindo em minha direção: o homem que cruza o meu caminho é de meia idade e carrega um tronco de uma árvore que parecia ter uns 3m de comprimento e uns 10cm de espessura. Pareceu tão assustado com a minha presença quanto eu com a dele. Cada um seguiu seu caminho. Embora sozinho, decidi continuar subindo pela linha de talvegue.
Pego o caminho à esquerda com a certeza de estar próximo do destino. Deste ponto em diante o terreno torna-se ainda mais íngreme e os sulcos chegam a 40 ou 50 centímetros de profundidade. Depois os sulcos praticamente desaparecem e a trilha torna-se mais larga. Mas a quantidade de pequenas bifurcações aumenta até que finalmente encontro o limite da floresta com o campo. Novamente a linha de talvegue reaparece. A imagem abaixo apresenta a floresta que deixei para trás, bem como a linha de talvegue utilizada como referencial.
Subindo um pouco mais já se observa a Cidade de Viamão, a leste, município que integra a Região Metropolitana de Porto Alegre. A foto abaixo mostrando novamente o caminho percorrido, mas já com visibilidade da cidade vizinha.
Feito o registro, retomo à caminhada na tentativa de registrar uma imagem de Porto Alegre. Uma boa perspectiva da Capital é obtida atingindo o topo do morro, no alto dos seus 314 metros de altura. No entanto, não havia recursos suficientes para atingir esta marca naquele momento. A intenção era conseguir uma imagem na cota em que me encontrava. A imagem abaixo apresenta a minha posição em relação ao topo do morro (se não me engano, lente apontada pro noroeste). Daquele ponto, o topo do morro poderia ser alcançado em aproximadamente 50 minutos.
Nesta região me impressionou a quantidade de grilos que se encontrava nesta vegetação rasteira. Fiquei com a sensação de que se banhavam ao sol. Eventualmente escutava sons na vegetação rasteira. Poderiam ser teiús? Pude apenas especular, pois não permitiram a minha aproximação. A imagem abaixo apresenta a paisagem sul (ou sudeste) perceptível daquela marca.
Cruzando o campo observa-se a vegetação próxima à trilha tornar-se mais alta. Levaria-se uns 10 minutos para cruzar o campo pela trilha, mas o sol neste ponto é muito forte. Quase não há vento e o desgaste a essa altura (devido à inclinação do terreno percorrido) exige um descanso: o terceiro, na verdade. Terminado o descanso embaixo de uma árvore estrategicamente posicionada junto à trilha e bem no meio do campo, volto à caminhada. Logo atinjo a mata sem avistar o abacaxizeiro que utilizei como ponto de referência da última visita ao morro. Certo de que estava onde deveria estar, concluí que a mata tinha se encarregado de escondê-la. A trilha, aliás, em certos pontos estava praticamente inacessível.
Continuei avançando pelo que sobrara da trilha. Aos poucos ela foi-se abrindo (ver foto abaixo). Adiante, mais uma encruzilhada: pegando o caminho da direita, atingiria o topo (o que não era meu objetivo). Seguindo reto, imaginei poder avistar a Cidade, pois podia ouvir os sons produzidos por ela.
No entanto, aos poucos percebi o ruído da cidade se afastar gradualmente, ao mesmo tempo em que a mata não dava sinais de que permitiria uma imagem da Zona Leste da Capital. Decidi retornar ao campo, pois de lá era possível ver algumas construções. A verde paisagem do campo é bela, mas traiçoeira. Para avistar a Capital, precisaria chegar a um grupo de árvores (imagem abaixo) distante a uns 500 metros - talvez - da trilha. Caminhando perpendicularmente à trilha observei a vegetação crescer rapidamente, chegando à altura dos joelhos e mais à frente na altura da cintura.
As árvores que antes pareciam pequenas, na verdade se encontravam em uma depressão (em relação ao plano da trilha).
Percebendo que não seria possível capturar a imagem com o tempo disponível, e considerando que o objetivo da jornada era apresentar a paisagem leste do Morro Santana, tomei como concluída a jornada. Ficará para uma próxima oportunidade a captura das imagens de Porto Alegre, desta vez do topo do morro.















